quarta-feira, 12 de maio de 2010

Repercussão


A explosão do blog Colírios na internet

O site que possui mais de 15 mil acessos diários está no ar há mais de cinco anos e vem ganhando ainda mais notoriedade

Ministrado pela revista Capricho, o blog “Colírios” é um site atualizado diariamente que tem como principal objetivo divulgar fotos, e perfis dos meninos esteticamente mais bonitos do país. Para ser Colírio basta o garoto preencher uma ficha de inscrição com alguns dados e fotos. Todavia, segundo algumas estatísticas, a maioria dos e-mails recebidos são de meninas, que indicam garotos comuns, que vêem nas escolas, ruas, e bairros.

O site que possui cerca de quinze mil acessos diários está no ar há mais de cinco anos, e vem ganhando um número cada vez maior de adeptos. Por conta desta notoriedade passaram a surgir blogs semelhantes, e sub blogs cuja única função é comentar sobre o site Colírios.

O sub blog oficial, “Tudo Sobre Colírios”, está em funcionamento desde outubro de 2009, e segundo a criadora e jornalista Jéssica Castro, tem como principal objetivo aprofundar as entrevistas com os Colírios. “Estava fazendo um trabalho pra faculdade na cadeira de Redação Jornalística, e essa “onda” de colírios estava começando e fazendo muito sucesso. Então, resolvi entrevistar pra um trabalho três Colírios, e um deles publicou minha matéria em seu twitter. A partir daí ganhei certa notoriedade, e resolvi criar o sub blog. Devido ao sucesso, não parei até hoje. Para se ter uma idéia, nos primeiros trinta minutos de existência do blog, tivemos mais de mil acessos, mas atualmente não temos um controle”, afirmou a jornalista.

Para o sociólogo Wilson Sanches existe uma explicação para explosão deste blog. “Atualmente quem possui um computador vira emissor e isso faz com que haja uma explosão de vários blogs na internet. O blog colírios da Capricho deu certo, e é muito acessado, por isso muitas pessoas começaram a criar web sites do mesmo gênero. O que é muito comum na mídia, já que existe certo mimetismo”, disse Sanches.

Devido ao grande número de acesso e popularidade do site, os meninos que aparecem no blog da revista, adquirem certa fama. Para Fábio Sottomaior, 19 anos, ter saído no blog mudou de certa forma sua rotina. “Já aconteceu de várias garotas me virem em algum lugar público e vierem me abraçar chorando, pedirem autógrafos, me agarrarem e tudo o mais, mas isso é algo que eu não consigo me acostumar. Meu cotidiano não admite sustentar algo desse gênero, muito menos minha idade”, disse o estudante de publicidade.

Segundo Sottomaior existem ainda os lados negativos dessa fama repentina. “Já sofri muito preconceito por ser Colírio, afinal muitas pessoas generalizam, e pensam que todo Colírio é piá-de-prédio, o que não é verdade. Além do mais, existem meninas muito fissuradas. Certa vez uma guria queria ver minhas partes íntimas para mostrar às amigas. Assim não é legal. Eu tento lidar com essa fama de forma carinhosa, afinal são garotas de 12 a 20 anos que resolveram me elogiar, mas nem sempre é fácil”, desabafou Sottomaior.

Alexandre Batista, 16 anos, também colírio da revista, concorda com Sottomaior. “O assédio é bacana enquanto ele é uma forma de carinho, quando passa a ser fanatismo não é legal. Por isso é muito chato quando as meninas fazem loucuras extremas. Mas o lado bom é que através do blog pude divulgar minha banda, que cresceu muito”, disse Batista.

Já o “Colírio” Miguel Montenegro, 14 anos, disse que ainda não enxergou os lados negativos de ter saído em um blog com repercussão nacional. “Mesmo sendo novinho estou amando tudo isso, se pudesse saia no blog todos os dias, acho muito legal ser reconhecido em todos os lugares que eu vou. Além do mais, receber o carinho de meninas que nem conheço é muito gostoso”, disse o estudante.

Para o sociólogo Wilson Sanches, por mais que o blog afete a vida de algumas pessoas, já que muitos indivíduos saem do anonimato devido a sites como esse, tal ferramenta acaba não tendo um impacto tão grande na sociedade. “Mesmo que o blog seja um instrumento importante, ele é algo muito localizado, sendo assim, cada tribo (indivíduos que tem um elo em comum) acessa um tipo específico. Eu mesmo não sabia da existência desse blog. Portanto, para o grupo de pessoas que acompanha este site ele está em evidência, já para tribos diferentes, com outros interesses, o mesmo blog talvez nem seja conhecido”, disse Sanches.

Repercussão

O público que mais acessa são meninas entre doze e dezoito anos. E o interessante é que segundo algumas pesquisas a massa que acompanha o blog é bem eclética, e fiel.

Mariana Faria, 15 anos, mostra o quanto é leal ao blog. “Acompanho diariamente o site, mesmo quando viajo dou um jeito de entrar no computador para ver o Colírio do dia, afinal o blog dá a oportunidade da gente conhecer aquele ‘’gatinho’’, mesmo que virtualmente”, disse a estudante.

Thaynara Soares de Almeida, 14 anos, também não fica atrás. “Entro todos os dias para ver se encontro algum garoto daqui de Cotia, e sempre fico atenta aos eventos, e festas que eles vão. Já cheguei até a viajar para conhecê-los”, contou Thaynara.

Todavia, por mais que o “Colírios” seja um blog de grande repercussão, ele acaba sendo alvo de muitas críticas. Para estudante de publicidade Fernanda Sousa, 19 anos, o blog é apenas algo fútil que está na moda. “Esse site virou uma febre. Agora existem os altos, os baixos, os legais, os chatos, e os colírios. Ou seja, esse blog reforçou ainda mais um padrão de beleza que não se encaixa com a maioria dos brasileiros. Para eles só são bonitos os altos, de pele clara, magros ou sarados, com cabelos lisos e olhos claros”, desabafou Fernanda.

Mas, segundo o sociólogo, estes modelos de beleza, vão depender muito da época, e da própria mídia. “Uma vez que a mídia é produtora da imagem, e dita o que é feio e o que é bonito, ela cria uma tendência predominante, e a maioria das pessoas não só aderem a tendência, como tentam se adequar a ela. Para mim é isso que vêm acontecendo com o blog Colírios. Foi criado um padrão estético, onde os meninos tentam se adequar, o que gera a uniformização do gosto, ou seja, indústria cultural. Portanto, parece que você tem uma certa liberdade, de indicar o menino que você quiser para ser Colírio, quando na verdade você só está reproduzindo o gosto que o editor quer”, concluiu o sociólogo.

Repórter Isabella Grade


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