quarta-feira, 12 de maio de 2010

Cotidiano

Divórcio compromete saúde emocional dos filhos

“Durante esse período de transição, as crianças ficam suscetíveis a danos e desgastes emocionais”, afirmou o psicólogo

O departamento de Serviços Humanos e Sociais dos Estados Unidos fez uma pesquisa tentando compreender o que acontece psicologicamente com os filhos de pais separados. A pesquisa apontou que dos 1400 entrevistados, 70 por cento são vítimas desse processo, e apresentam, portanto vários efeitos nocivos à sua saúde psicológica, como depressão, melancolia, baixo índice de rendimento escolar, e dificuldade em se relacionar e confiar em outras pessoas.

Segundo o psicólogo Rafael Thomazini, essas conseqüências manifestam-se já nos primeiros anos de vida ou mesmo nas fases subseqüentes da vida das crianças ou adolescentes.
“Há uma forma de preparar a criança conforme a idade dela. Por isso cada faixa etária pede um tipo de cuidado“, afirmou Thomazini.

Thomazini ressalta que toda criança que acompanha o processo de divórcio dos pais, reagirá de algum modo, apresentando conseqüências variadas de acordo com sua idade e perspectiva de vida. “As conseqüências emocionais dependem do grau de desenvolvimento de cada indivíduo, mas no geral, os bebês tendem a ficar mais agitados, crianças pequenas voltam a fazer xixi na cama e alguns adolescentes podem dar problemas na escola. Todavia, existem pequenas atitudes que podem tornar esse momento de ruptura o menos doloroso possível. Exemplo disso é um bom diálogo com o filho, demonstrações de amor, carinho, respeito e afeto, e uma amizade com o ex- companheiro. Porém, infelizmente existem muitos pais que por agirem por impulso, acabam causando traumas psicológicos ainda maiores”, afirmou o psicólogo.

A vendedora Alice Bernardes, 39 anos, concorda com a pesquisa, pois por conta do divórcio dos pais, ela nunca foi suprida em termos afetivos e financeiros. “Meu pai não me visitava, não me dava carinho, quando me via na rua nem me cumprimentava. Ele nunca me deu nada, nunca recebi um caderno ou uma peça de roupa dele, bem como nunca recebi carinho, ou uma palavra de incentivo”, disse a vendedora.

Já a psicopedagoga Jacqueline Rodrigues observa que é preciso cautela ao falar sobre o assunto. “Claro que uma separação nunca é fácil, mas isso não me causou nenhum dano emocional. Como nunca soube o que é ter um pai, não sofri tanto, e não cheguei a possuir sinais de danos psicológicos como depressão. Afinal a vida era dos meus pais, e não tenho que me basear no que aconteceu com eles, agora tenho um casamento estável, e procuro viver a minha vida”, afirmou a psicopedagoga.


Drama familiar


O mecânico Rafael Araújo que se separou há cinco meses de maneira conturbada, via seu filho Rafael Zunto, 2 anos, apresentar sinais de irritabilidade e crises de choro, devido as brigas constantes com sua ex-mulher. Todavia, ambos resolveram tomar algumas providências, para amenizar o sofrimento do filho, e essas medidas estão surtindo efeito. “Eu e minha ex-parceira, estamos tentando de alguma forma mostrar que agora somos só amigos que não moram mais juntos”.

Para o mecânico é muito doloroso ver o filho apenas quinzenalmente. “É uma situação complicada, afinal, ele é apenas uma criança que não entende o que está se passando a sua volta, mas não tinha outro jeito, como não conseguíamos mais nos entender, não teve outra saída que não fosse a separação”, disse Araújo.

Já a aposentada Djanira Borges, 70 anos, foi abandonada pelo marido em 1978 com três filhos para criar. “Tive uma separação conturbada, e até hoje foi a coisa mais difícil que passei na minha vida. Porque além de sentir a dor por si só da separação, sofria um preconceito enorme da sociedade. Quando andava nas ruas, as pessoas cochichavam de mim, me julgavam e faziam piadinhas de mal gosto”, disse a aposentada.

Djanira disse concordar com o psicólogo Thomazini, pois em sua opinião a separação causa danos emocionais muito grandes para pais e filhos. “Acho que por conta da dimensão desse processo, o divórcio deixa uma marca que vai durar para sempre, e o único jeito é se superar. No meu caso, vi nos meus filhos uma razão pra tentar sobreviver a cada dia, e fui superando meus medos e traumas”, disse Djanira.


Mas para a aposentada, por mais que o divórcio seja uma medida extrema, acaba sendo fonte de soluções para alguns problemas. “Por mais que o divórcio seja algo horrível, às vezes ele acaba sendo necessário. Mas desde que seja feito de maneira coerente e consciente, para tentar deixar o menos de danos possíveis para todos os envolvidos”, contou Djanira.


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