“A educação é reflexo do país, se a educação vai mal, é porque o país também está mal” diz educadora
O Brasil apresenta de forma agravada, algumas características próprias de um país em desenvolvimento, das quais se destaca a deficiência e precariedade no sistema educacional. Para a coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Norte do Paraná e professora de gestão da UEL, Zuleika Claro Piassa, o maior desafio da educação brasileira atualmente é a questão da expansão do Ensino Médio e Superior, e a falta de qualidade sem investimentos vultosos. “O governo brasileiro sabe que a educação enfrenta problemas como a má formação dos professores e, também, a carência de uma cultura popular que valorize a formação dada pela escola” diz a educadora.
Em todo o país devido ao grande crescimento populacional ocorrido até pouco tempo atrás, as dificuldades de se universalizar a educação foram ampliadas. Diante a tantas dificuldades o governo federal propôs alguns projetos para melhorar a educação, como as cotas nas universidades públicas, e o ProUni. Para Zuleika estes projetos atendem à questão da democratização do ensino superior. “Mas não concordo com o ProUni, pois o governo compra vagas no ensino privado ao invés de criar vagas no setor público” diz a coordenadora. Já para a especialista em didática de alfabetização e Educação especial Monica Maria TeixeiraFigueirol estes projetos se fazem necessários, porém não são a forma ideal de inclusão. “Isso deveria acontecer de forma natural” diz a educadora.
Para Figueirol a estrutura das escolas públicas no país são inapropriadas para o atendimento dos alunos, principalmente, daqueles que apresentam necessidades educacionais especiais. “Acredito que deve haver uma mudança nas políticas da educação, já que os professores são mal remunerados, e possuem dificuldades para atender os alunos reais, aqueles que realmente precisam de um ensino público de qualidade” diz a especialista.
Segundo o senso da educação básica brasileira, realizado pelo instituto de pesquisas ligado ao MEC (Inep), 1,8 milhões de professores que atuam na educação básica em escolas públicas e particulares do país, estão despreparados. Zuleika acredita que é muito fácil fazer críticas sem levar em conta o número de alunos por sala, a falta de material didático, a falta de tempo pra planejar, a falta de respeito dos alunos e dos pais, e as péssimas condições em que muitos alunos chegam na sala de aula. “A educação é reflexo do país, então não é a educação que vai mal, é o país” afirmou a coordenadora.
Mesmo diante a tantos problemas presentes no sistema educacional do país as educadoras não desanimam. “Aprendemos a aprender, a reflexão sobre nossa prática nos faz sujeitos mais conscientes de fazer melhor, isto me motiva” diz Figueirol. Já para Zuleika a docência, é trabalho para pessoas competentes, inteligentes, e idealistas, portanto requer profissionais que estejam dispostos a lutar e a contribuir para construção de uma educação melhor e de uma sociedade mais justa.
“O caminho para se ter um empreendedorismo de sustentabilidade é o conhecimento” diz empresário,
Segundo uma pesquisa realizada pelo GEM (Global Entrepreneurship Monitor) estudo que se consolida como um dos mais importantes do empreendedorismo, muita coisa mudou no perfil e na postura dos empresários brasileiros, já que eles entenderam que, para iniciar e gerenciar um negócio sustentável, o melhor caminho é sempre o do conhecimento.
O empresário Adilson Alves Grade, proprietário da corretora de seguros Via Multi, não só concorda com o estudo feito como acredita que o conhecimento é a base do negócio. “Quem não é qualificado não pode se colocar na função de gerir a atividade proposta. Não é possível sentar-se na cadeira de chefe e dar ordens se você não está preparado pra isso, portanto a preparação aumenta a possibilidade de sucesso do empreendimento” diz o administrador.
Para Alves além do conhecimento científico, os empreendedores devem desenvolver outras características como Conhecimento do negócio, flexibilidade, coerência, agressividade, determinação, e competitividade. “Com estas características aliadas a seu favor, o empreendedor poderá obter a chave para o sucesso empresarial”, afirma Alves.
Segundo o empresário existem pontos positivos em ter seu próprio negócio como a possibilidade de realizações pessoais, satisfação e domínio sobre as tarefas. Mas em contrapartida existem também alguns pontos negativos. “A responsabilidade do gestor ou empreendedor aumenta demasiadamente já que ele precisa administrar o tempo para não tornar-se escravo dele, a carga tributária é demasiadamente elevada e os riscos trabalhistas também são aspectos muito negativos que devem ser levados em conta para realização de qualquer empreendimento” diz o corretor de seguros.
Ano após ano o número de empreendedores tem diminuído no país, e para Alves isto se deve a falta de planejamento estratégico, financeiro e emocional, bem como a falta de incentivo do governo. “Achei brilhante a iniciativa do SEBRAE com o desafio que eles estão propondo em várias universidades do país. Acredito, que o governo deveria se espelhar neste órgão, pois, iniciativas como esta simula situações próximas a realidades vividas por um empreendedor, e faz com que haja um incentivo maior aos jovens que almejam iniciar seu próprio negócio” conclui o empresário.
“Durante esse período de transição, as crianças ficam suscetíveis a danos e desgastes emocionais”, afirmou o psicólogo
O departamento de Serviços Humanos e Sociais dos Estados Unidos fez uma pesquisa tentando compreender o que acontece psicologicamente com os filhos de pais separados. A pesquisa apontou que dos 1400 entrevistados, 70 por cento são vítimas desse processo, e apresentam, portanto vários efeitos nocivos à sua saúde psicológica, como depressão, melancolia, baixo índice de rendimento escolar, e dificuldade em se relacionar e confiar em outras pessoas.
Segundo o psicólogo Rafael Thomazini, essas conseqüências manifestam-se já nos primeiros anos de vida ou mesmo nas fases subseqüentes da vida das crianças ou adolescentes. “Há uma forma de preparar a criança conforme a idade dela. Por isso cada faixa etária pede um tipo de cuidado“, afirmou Thomazini.
Thomazini ressalta que toda criança que acompanha o processo de divórcio dos pais, reagirá de algum modo, apresentando conseqüências variadas de acordo com sua idade e perspectiva de vida. “As conseqüências emocionais dependem do grau de desenvolvimento de cada indivíduo, mas no geral, os bebês tendem a ficar mais agitados, crianças pequenas voltam a fazer xixi na cama e alguns adolescentes podem dar problemas na escola. Todavia, existem pequenas atitudes que podem tornar esse momento de ruptura o menos doloroso possível. Exemplo disso é um bom diálogo com o filho, demonstrações de amor, carinho, respeito e afeto, e uma amizade com o ex- companheiro. Porém, infelizmente existem muitos pais que por agirem por impulso, acabam causando traumas psicológicos ainda maiores”, afirmou o psicólogo.
A vendedora Alice Bernardes, 39 anos, concorda com a pesquisa, pois por conta do divórcio dos pais, ela nunca foi suprida em termos afetivos e financeiros. “Meu pai não me visitava, não me dava carinho, quando me via na rua nem me cumprimentava. Ele nunca me deu nada, nunca recebi um caderno ou uma peça de roupa dele, bem como nunca recebi carinho, ou uma palavra de incentivo”, disse a vendedora. Já a psicopedagoga Jacqueline Rodrigues observa que é preciso cautela ao falar sobre o assunto. “Claro que uma separação nunca é fácil, mas isso não me causou nenhum dano emocional. Como nunca soube o que é ter um pai, não sofri tanto, e não cheguei a possuir sinais de danos psicológicos como depressão. Afinal a vida era dos meus pais, e não tenho que me basear no que aconteceu com eles, agora tenho um casamento estável, e procuro viver a minha vida”, afirmou a psicopedagoga. Drama familiar
O mecânico Rafael Araújo que se separou há cinco meses de maneira conturbada, via seu filho Rafael Zunto, 2 anos, apresentar sinais de irritabilidade e crises de choro, devido as brigas constantes com sua ex-mulher. Todavia, ambos resolveram tomar algumas providências, para amenizar o sofrimento do filho, e essas medidas estão surtindo efeito. “Eu e minha ex-parceira, estamos tentando de alguma forma mostrar que agora somos só amigos que não moram mais juntos”. Para o mecânico é muito doloroso ver o filho apenas quinzenalmente. “É uma situação complicada, afinal, ele é apenas uma criança que não entende o que está se passando a sua volta, mas não tinha outro jeito, como não conseguíamos mais nos entender, não teve outra saída que não fosse a separação”, disse Araújo. Já a aposentada Djanira Borges, 70 anos, foi abandonada pelo marido em 1978 com três filhos para criar. “Tive uma separação conturbada, e até hoje foi a coisa mais difícil que passei na minha vida. Porque além de sentir a dor por si só da separação, sofria um preconceito enorme da sociedade. Quando andava nas ruas, as pessoas cochichavam de mim, me julgavam e faziam piadinhas de mal gosto”, disse a aposentada. Djanira disse concordar com o psicólogo Thomazini, pois em sua opinião a separação causa danos emocionais muito grandes para pais e filhos. “Acho que por conta da dimensão desse processo, o divórcio deixa uma marca que vai durar para sempre, e o único jeito é se superar. No meu caso, vi nos meus filhos uma razão pra tentar sobreviver a cada dia, e fui superando meus medos e traumas”, disse Djanira. Mas para a aposentada, por mais que o divórcio seja uma medida extrema, acaba sendo fonte de soluções para alguns problemas. “Por mais que o divórcio seja algo horrível, às vezes ele acaba sendo necessário. Mas desde que seja feito de maneira coerente e consciente, para tentar deixar o menos de danos possíveis para todos os envolvidos”, contou Djanira.
A importância da ONG Viver para crianças com câncer
“A gente se torna uma família, eu mesma tenho os pacientes daqui como meus filhos”, contou a cozinheira Rosana
A organização Viver que atua na cidade de Londrina há nove anos, surgiu a partir de um trabalho voluntário de recreação no Hospital do Câncer. Desde então, alguns idealizadores do projeto observaram que havia a necessidade de acolher e atender melhor as crianças e familiares. “Muitos deles não possuíam dinheiro para comprar alimentação, e não tinham um espaço pra ficar. Eles também precisavam de medicamento e a família não tinha condições de fornecer, foi ai que vimos que precisávamos fazer alguma coisa para dar o mínimo de carinho e dignidade a eles”, contou Dorian Guerra, uma das fundadoras da ONG.
A organização que começou com um espaço pequeno apenas para as crianças terem onde ficar, já que segundo a assistente social Maria Joreni, estima-se que cerca de 60 a 70 % das crianças são de municípios vizinhos, atualmente possui um espaço mais amplo e conta com um número maior de pacientes. “Por semana existe um fluxo aproximado de 90 a 100 pessoas, mas isso contando pacientes, pais, funcionários e voluntários”, disse Maria.
Para a organizadora um dos motivos que fez com que o número de pacientes aumentasse, foi a parceria feita recentemente com o Hospital Universitário de Londrina (H.U). “Com essa parceria assumimos cerca de 300 pacientes, e mesmo que nem todos desfrutem dos benefícios que a ONG oferece, como auxílio odontológico, cestas básicas, roupas, e medicamentos. Devido a grande procura que estamos tendo, procuramos ter uma constância, e abrimos de segunda a sexta para a população”, contou Dorian.
Para sustentar todo o projeto, a organização que atende crianças de 0 a 21 anos com todos os tipos de câncer, desde que dependam do Sistema Único de Saúde (SUS), conta com vários parceiros que contribuem das mais diversas maneiras, o principal deles é o Instituto Ronald McDonald, e através destes recursos foi possível a ampliação da casa que hoje conta com vários quartos para que os pacientes possam pernoitar na ONG durante o tratamento no hospital. Além disso, possuem um quarto isolado, para o uso exclusivo de crianças que vão fazer transplante de medula óssea. “O Jean, 3 anos, por exemplo, está dormindo aqui há 21 dias para fazer seu tratamento de rádio terapia ”, contou Dorian.
Na avaliação da organizadora, o motivo pelo qual a ONG deu certo, é porque a base da instituição está alicerçada no amor a Deus. “Falo que antes desse projeto nascer no nosso coração, ele nasceu no coração de Deus. Ele através de cada um de nós, nos usa como veículo para aprender, e pra servir esse pessoal, por isso digo que quem é voluntário é privilegiado”.
A organizadora explicou ainda que, com exceção de quatro funcionários, toda a organização é composta por voluntários. Além de ajudarem com carinho, dedicação, e trabalho, muitas vezes, contribuem financeiramente para a ONG.
Um dos problemas enfrentados pela organização é que existem pessoas que usam o nome da instituição para pedir ajuda financeira e vender produtos como sacos de lixo e sacolas. “Muitas pessoas tem vendido coisas em nosso nome, e isso não existe, não fazemos telemarket, por favor, não acreditem, pois não é verdade”, alertou Dorian.
Segundo uma das fundadoras, caso alguém queira contribuir de alguma forma para a ONG, o mesmo deverá procurar a organização que atende no endereço R. Lucilla Ballalai, 391, telefone (43) 3343- 0044, e tem como e-mail ongviver@sercomtel.com.br. Dessa forma antes de contribuir, a pessoa poderá conhecer a idoneidade da ONG .
Histórias de luta e superação
Segundo Dorian, existem muitas histórias que a marcaram durante os 13 anos em que atua junto a crianças com câncer. “São tantas histórias que daria um livro, me veio à mente agora a de um menininho que tinha tumor na cabeça. Ele não comia, não conseguia falar bem, mas quando ele vinha para ONG ele se transformava. Quando ele entrava pelo portão da organização, ele começava a viver, a mãe dele dizia até que essa casa era mágica”, contou Dorian.
Histórias de ânimo é o que não faltam na organização, que parece realmente ser uma grande família. Mesmo passando por situações complicadas, o que se vê na casa é alegria e determinação. Dorian até alerta que na ONG eles não querem tristeza, apenas alegria, e vida. “Está ai o porquê da organização se chamar Viver”, afirmou a Dorian.
Outro sentimento que está em evidência na casa, é a cooperação. Marcos, pai de Alexandre, 8 anos, que está internado no Instituto de câncer de Londrina (ICL), ajuda no que pode. Dias atrás fez até uma campanha com os familiares para arrecadar lençóis e toalhas de banho para organização. “Se tivesse que falar alguma coisa sobre a ONG, diria que não consigo viver sem a organização Viver”, contou Marcos.
A ONG é ainda muito importante na vida das crianças e dos familiares dos pacientes. Para Olívio Rocha, 49 anos, a organização é tudo, pois além de dar auxílio como cestas básicas, leite, alimentação, e roupas, ela dá algo ainda mais importante, carinho. “Quando minha filha tinha dois anos descobrimos que ela tinha câncer no sangue. O HU nos indicou a ONG, e aqui estamos há dois anos. Aqui a gente recebe um atendimento de primeira, por isso digo que a organização é tudo, é meu ponto de apoio, meu braço direito”, contou Olívio.
Valdemira de Souza, 38 anos, concordou com o marido Olívio, uma vez que disse que sem a ONG sua vida seria bem mais difícil. “Parei de trabalhar para cuidar da Fabi, porque nada como o carinho de mãe, e sem os auxílios da organização, passaria um aperto”, desabafou.
Valter Aparecido de Moura é outro pai que freqüenta a ONG desde que descobriu que sua filha Tamara, 13 anos, tinha câncer. Aparecido disse estar satisfeito com o tratamento que recebe da organização. “Venho aqui há oito meses, e eles me ajudam demais, e isso é muito bom. Minha filha ama vir aqui porque é como se fosse a casa da gente. Eles são praticamente a minha família, se não fosse esse lugar estaria agora no hospital”, disse Moura.
Rosana Maria também contou um pouco da sua experiência. A cozinheira da organização participa do projeto desde seu início, em 2001. Ela conheceu Dorian na recreação do hospital do câncer, quando sua filha fazia tratamento. “Nunca imaginei que criança pudesse ter câncer, então, acabei descobrindo que a minha filha sofria com a doença meio tarde”, disse Rosana.
A cozinheira disse que a recreação era muito importante, pois dava ânimo a ela e a filha. “Toda terça feira eles iam lá e faziam várias atividades, eu aprendi com os voluntários mais coisas sobre crochê e como tive que parar de trabalhar para cuidar da minha filha, acabava fazendo o artesanato e vendendo para os médios e as enfermeiras”, disse Rosana.
A cozinheira passou por muita necessidade e foi despejada da casa. “Foi uma época muito complicada para mim, perdi meu marido, depois minha filha, depois minha mãe, então, estava no fundo do poço e a ONG me ajudou e me ajuda a Viver”, contou a cozinheira emocionada.
Mas Rosana não desanima, é até chamada carinhosamente pela irmã de Fortaleza, devido a força de vontade que ela tem de lutar pela vida. “Atualmente trabalho como cozinheira, porque minha filha gostava muito da minha comida. A cada dia que passa me lembro dela, do rosto dela, imagino como ela estaria se estivesse viva, e sonho constantemente com ela. Mas, sei que a vontade de Deus foi feita”, contou a cozinheira.
Rosana ressaltou ainda que a ONG é de fundamental importância e que se a mesma existisse quando ela passou pela situação de ter uma filha com câncer, o atendimento seria mais fácil, devido aos auxílios e carinho que a organização oferece. “As pessoas recorrem a gente não só pelos benefícios, mas também pelo carinho e amor que damos as crianças. Aqui a gente se torna uma família, eu mesma tenho os pacientes daqui como meus filhos”, disse a cozinheira.